A Inovação no Setor Social (parte 1)

negocio-socialÉ inevitável a inovação estar presente no ADN do empreendedor social, independentemente da área específica em que procura intervir. A sua atividade caracteriza-se, em grande parte, pelo desenvolvimento de novas ideias, projetos ou serviços que possam ter um impacto positivo na sociedade e, assim, é pertinente efetuar uma reflexão cuidada sobre o que é a inovação e a forma como esta se define e aplica no setor social.

O termo “inovação” apresenta uma certa ubiquidade, que o faz apresentar diferentes significados para diferentes pessoas. Tanto pode significar o smartphone que trazemos no bolso das calças, como um sistema financeiro que combate a pobreza. Na verdade, não o usamos apenas para descrever produtos ou serviços, como também o fazemos para nos definirmos a nós próprios como pessoas inovadoras.

Interrupção/Reformulação de uma prática anterior

Em termos gerais, a inovação pode ser explicada como a interrupção de uma prática anterior, que ocorre quando diferentes pontos de vista ou condutas existentes são enquadrados, imaginados ou combinados através de novas abordagens. Sucede quando são criados diferentes caminhos/propostas para a resolução de determinados problemas sociais, e resulta na transformação duradoura dos sistemas que afetam as populações mais vulneráveis.

Trata-se de um conceito que emerge segundo um processo gradual, e não antes de uma lâmpada que ilumina, de súbito, as nossas mentes. Muitas vezes, é apenas a melhoria de uma certa invenção, e não a invenção propriamente dita. Por isso, é adaptável e aplicável a novos desafios.

Oportunidades de inovação no século XXI

É certo que as crises que enfrentamos hoje são bastante mais complexas, em comparação com as do passado, sobretudo no que diz respeito aos índices de escala e alcance das problemáticas. Apesar dessa complexidade, que não conhece fronteiras, outro modo de ver as coisas é que essas crises se traduzem igualmente em grandes oportunidades para se inovar ou “modernizar”.

Por exemplo, os avanços na tecnologia, nos transportes e na comunicação permitiram a transmissão de informação de forma mais rápida e específica, sendo possível, na atualidade, alertarmos e prevenirmos rapidamente populações sobre problemas que estão a afetar uma dada região, e que podem também influenciar negativamente as áreas que lhe são próximas. Por outras palavras, podemos ser mais democráticos, mais globais e mais colaborativos do que nunca.

Possibilitar e potenciar a inovação

Ao longo dos anos, é certo que aprendemos imenso sobre o que funciona ou não quando se trata de catalisar oportunidades para se inovar. Dessas lições, o que podemos retirar é que, em primeiro lugar, deve haver espaço para a experimentação e tomada de riscos. Providenciar uma chance de inovação significa a criação de um espaço onde os empreendedores sociais possam, através das suas iniciativas, correr riscos com o seu trabalho e, se necessário, reconhecer as suas falhas para se reformularem e adaptarem até encontrarem uma solução eficaz.

Tempo e paciência

Em segundo, além do espaço, a inovação requer tempo e paciência. Mesmo com as capacidades da tecnologia avançada e a instantaneidade conseguida com a Internet, a inovação precisa ainda de muita preparação e de um ambiente propício para se desenvolver. Muitas fundações assim o reconhecem, ao comprometerem-se com projetos de longo prazo quando lidam com missões e problemáticas sérias, a larga escala. No entanto, tal não é o mesmo que dizer que se devem dar prazos ilimitados para que novas ideias se desenvolvam e exponenciem.

Definir metas e objetivos

O que nos leva à terceira lição: definir objectivos claros. Estabelecer objetivos e medidas de impacto não é obrigatoriamente um sinónimo de atraso à inovação. Na verdade, quando enquadrados no contexto de quem se vai beneficiar e na forma como se vai fazê-lo, os objectivos e as medidas podem ajudar-nos a alcançar um impacto maior, rumo à criação de uma comunidade global próspera.



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