Responsabilidade social

responsabilidade-socialO tempo presente inscreve-se na História como um reflexo da evolução capitalista desde a sua autocrata afirmação ao longo do século XX. Ainda nos anos 40, Horkheimer e Adorno, dois teóricos da Escola de Frankfurt, teceram duras críticas a esta ideologia, segundo a perspetiva de que o capitalismo encontrara formas de superar as suas contradições e de desenvolver estratégias que permitiram à classe trabalhadora “incorporar-se no sistema”. E hoje, em pleno século XXI, facilmente entendemos que este modelo económico, na sua azáfama de gerar valor e riqueza, converteu inexoravelmente os próprios cidadãos.

É precisamente no estádio contemporâneo do avanço capitalista em que nos encontramos, sendo visíveis algumas das consequências que daí resultaram: degradação do ambiente, corrupção, desigualdade, dívidas estatais que motivaram a crise, e o incremento da pobreza em várias zonas do globo. O panorama, como se pode discernir, não é de todo o mais favorável.

Significado da responsabilidade social

Admite-se ter sido em 1953, por intermédio da publicação Social Responsibilities of the Businessman, da autoria do norte-americano Howard Bowen, que o termo “responsabilidade social” foi lançado pela primeira vez a debate como um conceito próprio. Até à década de 70, a noção foi progressivamente ganhando força até aparecerem as primeiras associações de profissionais interessados em pegar no tema como objeto de estudo.

Assim, em jeito breve, a responsabilidade social diz respeito a uma metodologia de gestão definida por relações corporativas de ética e transparência, bem como pelo estabelecimento de metas empresariais que se coadunem com o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos naturais e contribuindo para a redução das desigualdades sociais.

Papel das empresas

Cada vez mais, as empresas devem definir-se como lugares de crescimento e desenvolvimento produtivo, mas também como espaços onde cresçam e se fortaleçam as pessoas. Com elas, também as suas famílias, o que nos conduz inevitavelmente para o futuro das gerações que se seguem.

Podemos distinguir entre três tipos de empresas: aquelas que visam apenas o lucro; as que se posicionam unicamente como organização social; e aquelas socialmente responsáveis, que equilibram ambos os componentes.

Assimilando a responsabilidade social como um elemento transversal da educação e das faculdades profissionais do Homem, isto é, introduzindo este paradigma às suas operações administrativas, as empresas dão assim o primeiro passo para a criação de uma economia solidária. Tal significa o modelo de gestão moderna e competente capaz de gerar resultados nas dimensões económica, social e ambiental.

O que ganham as empresas

Há várias razões que justificam a adoção de políticas de responsabilidade social. É uma via que pode garantir lucro inesperado às empresas, bem como se pode tornar o ponto de partida para a subsistência das mesmas. Isto porque uma firma que quer sobrevier a longo prazo vê o seu caminho facilitado uma vez garantida a satisfação social. No fundo, é apenas mais uma evidência de que a responsabilidade social e a sustentabilidade andam de mãos dadas.

Acresce igualmente o valor da empresa, dado que esta pode mostrar à comunidade que está interessada e que é socialmente responsável, desempenhando deliberadamente o papel de consciencializar o ambiente que a rodeia.

Por último, é importante reconhecer que as contingências do mundo atual cada vez mais impelem o setor empresarial a olhar além do lucro, da rentabilidade. E como forma de instigar o pensamento e a ação, vale a pena relembrar um adágio chinês que aqui se revela oportuno: “Se queres colher a curto prazo, planta cereais. Se queres colher a longo prazo, planta árvores. Se queres colher para sempre, investe no ser humano”. Fica a porta aberta para a reflexão.



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